São Paulo, 19 de fevereiro de 1922.
Gabriel Baggio
A emancipação das mulheres, de corpo e alma
A velha cultura brasileira foi sacudida. A Semana da Arte Moderna chegou ao fim, para o alívio dos conservadores. Mas o “estrago” está feito. A Semana, que ocupou os dias 13, 15 e 17 deste mês de fevereiro de 1922, está marcada para sempre na história. Quebrou paradigmas na sociedade brasileira, especialmente de São Paulo. Artistas demonstraram o que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual. Os jovens modernistas mostraram que havia um mundo muito maior a ser explorado.
A mulher, que na velha sociedade brasileira era encarada como boneca de luxo, agora com a revolução ganha mais força para sua emancipação. De uns tempos pra cá, a mulher brasileira se descobriu. Luta por seu espaço na sociedade, se valoriza, arrisca trajes mais sofisticados, cuida da aparência com maquiagem estrangeira, enfim, busca oportunidades igualitárias perante o homem. Mulheres de fibra e visão estão brotando por todos os cantos do mundo. A mulher nunca esteve tão em evidência.
Essa semana chega a São Paulo, Helena Rubinstein, uma mulher que vêm sendo reconhecida mundialmente por sua luta em prol dos direitos da mulher, tanto os civis, quanto os de natureza estética. Nesse período de transição de nossa sociedade, sua presença é fundamental para troca de experiências com as brasileiras.
Helena nasceu na Polônia, na cidade da Cracóvia em 1870. Aos vinte anos, mudou-se para a Austrália. No ano de 1902, fundou seu primeiro salão de beleza. Foi nesse período que Helena Rubinstein deu início a seu império. Foi a partir do creme chamado Crème Valaze, formulado a base de ervas e que fez sucesso com as mulheres daquele país. Dava um efeito restaurador e suavizador nas peles ressecadas e queimadas pelo sol. Mas esse foi apenas o início dessa mulher que se emancipou cedo, em uma sociedade mais livre e justa que a nossa. Ela criou uma inovadora classificação entre pele seca, normal e oleosa. Após o sucesso de seu creme facial, Helena resolveu estudar com dermatologistas europeus e abriu um salão em Mayfair, bairro elegante de Londres, na Inglaterra.
Em 1915, mudou-se para Nova Iorque, onde solidificou seu império. Trabalhadora incansável, Helena Rubisntein criou o conceito de beleza saudável, lançando hidratante suave, pó-de-arroz e bases coloridos e criou uma linha de cosméticos exclusivamente para homens.
Em recente entrevista para o diário The New York Times, de Nova Iorque, ela afirmou que cuidado com a pele e com o corpo não é uma questão fútil, mas sim um instrumento para a emancipação das mulheres. Para ela, toda mulher pode ser bonita. E dá a receita calculada: “Bastam 15 minutos por dia e US$ 5 ao ano em creme fácil.”
Sua chegada a São Paulo é esperada por muitas brasileiras que aguardam novidades e dicas de beleza. Hoje, mais do que nunca, as mulheres brasileiras querem novidades, aparatos modernos e sofisticados, claro, as que podem se dar ao luxo. Helena dará duas palestras, uma no dia 21, outra no dia 25 de fevereiro. Reservas diretamente no Hotel Paulistano, na rua São Bento 47.
Trabalho produzido para aula de redação jornalística 3
novembro de 2006
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário